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Os piores conectores de todos os tempos

Conectores são um problema desde que Benjamin Franklin inventou a eletricidade. Entre oxidação, mal-contato e projetos ruins, trazem dor de cabeça eterna para os usuários. Mesmo assim, alguns são melhores do que os outros. Outros, bem piores.

Conectores, dado problema desde pelo menos 1955. (Crédito: Universal Pictures)

Um dos principais problemas com conectores é a oxidação. Nós vivemos em um mar de oxigênio, um elemento extremamente reativo. Qualquer superfície metálica exposta a ele é imediatamente oxidada. Por isso tantas estátuas de cobre hoje são verdes.

Um conector com contatos firmes evita oxidação, mas se torna mais difícil de ser removido. É preciso pesar os benefícios, para chegar a um meio-termo.

Conectores industriais e militares, que não podem em hipótese alguma falhar, são construídos com travas e roscas, que permitem uma desconexão em tempo razoável, mas pouca chance de mau-contato ou desprendimento acidental.

Conector USB industrial (Crédito: Reprodução Internet)

Como o MeioBit é um blog focado mais em Informática, este artigo também se foca em conectores usados em computadores. O surpreendente é que após a pesquisa, percebemos que os conectores no mundo dos PCs vêm… piorando.

Todo mundo já teve problemas com cabos HDMI, mas raramente a gente encontrava um conector VGA com mau-contato, e se estivesse mal-encaixado, a culpa era do usuário preguiçoso, pois os conectores machos para DE-15 (o nome oficial do VGA) fêmea vinham com parafusos para garantir a fixação.

Em termos de impressoras, a maioria usava porta paralela, com um conector DB25 (com parafuso) em uma ponta do cabo, e um conector Centronics, na outra ponta. O Centronics tinha abas que encaixavam em travas metálicas no corpo da impressora. Você podia passar correndo, tropeçar, derrubar tudo e o cabo não soltava.

Porta Centronics. Depois de encaixada e travada não soltava nem por decreto. (Crédito: Jiří Sedláček / Wikimedia Commons)

Internamente os cabos IDE eram tão firmes que já vi gente da Geração Z dizendo que se machucou tentando remover um cabo IDE de um PC. Não havia como um cabo de HD se soltar.

Hoje se você olhar feio, o PC desmonta. Culpa principalmente desses conectores horrendos:

1 – USB

Clássico conector USB (Crédito: brett jordan / Wikimedia Commons)

Não vou negar que a universalização do USB foi uma imensa evolução. Ainda lembro do inferno que era quando cada gadget tinha um carregador com conector e especificações de voltagem próprias. Os fabricantes de celulares não mantinham o mesmo conector nem para aparelhos da mesma linha. CADA CELULAR tinha conector e/ou voltagem próprias.

Qualquer coisa com bateria recarregável fatalmente teria uma conexão proprietária, e se você perdesse o carregador, game over. Quando equipamentos passaram a trocar dados, tudo só piorou.

O USB acabou se tornando um padrão, mas o conector tem várias desvantagens. Ele é grande, desafia Leis da Física e só entra na 3ª tentativa, tende a oxidar e com o tempo a tomada fica frouxa. Nada pior que um USB que você tem que dar tapinhas para funcionar.

 

USB Mini-A/B

Conector USB-Mini A (branco) e Mini B (preto) (crédito: Mgdunn / Wikimedia Commons)

Como o conector USB normal era realmente grande, criaram os formatos USB Mini-A e Mini-B, pois para quê criar um padrão quando podemos criar dois?

Esses conectores eram utilizados em equipamentos como câmeras fotográficas e gravadores digitais, mas como eram muito pequenos, não tinham firmeza, soltavam com facilidade -e pior- criavam um efeito de alavanca que rapidamente soltavam o plug fêmea da placa.

USB-B

O famigerado USB B (Crédito: Mariofergo / Wikimedia Commons)

Esse é o conector que a gente usa em impressoras, docks para HDs e outros equipamentos. Em teoria era para ser um conector USB “pesado”, firme, com bom encaixe, mas na prática o mau-contato, inimigo perene, é reforçado com o fato da conexão ser presa apenas por atrito, e em geral o conector estar atrelado a um cabo grande e pesado. Rapidamente o USB-B fica solto ou pendurado, mal encaixado.

SATA

SATA sem trava, uma desgraça (Crédito: JulianVilla26 / Wikimedia Commons)

OK, reconheço, as conexões IDE eram limitadas. Você só podia encadear dois HDs por cabo, eles ocupavam um espaço imenso e remover um cabo IDE às vezes até danificava a placa-mãe. A mudança pro pequeno e elegante conector SATA pareceu um presente dos deuses, e no começo foi.

Até perceberem que o que funcionava para um PC de exibição com um único HD não funcionava bem para um PC cheio de HDs, SSDs e GPUs, com cabos se apertando para todos os lados.

O conector SATA era pequeno e leve, leve demais. Com cabos semi-rígidos, ele tendia a se soltar nas horas mais inconvenientes.

SATA com trava, agora sim! (Crédito: Smial / Wikimedia Commons)

Felizmente apareceram versões melhoradas com travas metálicas, são mais caros mas valem cada centavo. Essa melhoria tornou um conector extremamente irritante em um dos melhores da atualidade.

Mini-HDMI

micro HDMI, mini HDMI e HDMI. Os dois primeiros são a treva. (Crédito: NicoJenner / Wikimedia Commons)

HDMI, ou High-Definition Multimedia Interface é mais que um conector, é uma interface completa, com especificações, protocolos, variações, versões e variações que por si só já seriam extremamente irritantes, quando você está lidando com equipamentos high-end, mas piora.

Resolveram que equipamentos minúsculos deveriam acessar displays HDMI, então inventaram o tal conector MINI-HMDI. Imagine o mesmo número de pinos, 20, em uma versão com metade do tamanho: É a desgraça do MINI-HDMI. E piora, há um MICRO-HDMI que é pior ainda.

Imagine um conector extremamente delicado, na ponta de um cabo pesado. O conector está conectado a um equipamento minúsculo, câmera ou celular. Cada movimentação do cabo é uma tortura no conector da placa-mãe. Em alguns casos a meia-vida de um conector Mini-HDMI podia ser medida em semanas.

Plug P1

Um conector P2 e um frágil P1 (Crédito: Reprodução Internet)

O conector de áudio de 3,5mm, popularmente conhecido como P2, é uma das mais bem-sucedidas criações da Engenharia. Inventado no final do Século XIX, continua vivo até hoje, muito provavelmente você tem um headphone com fio espetado em uma porta verdinha na traseira do seu PC.

O conector P2 tem o compromisso perfeito entre tamanho e robustez, mas não estamos falando de conectores bons. O ruim aqui é o P1, a versão com 2,5mm de diâmetro.

O conector P1 é fininho, delicado, ruim de encaixar e você precisa de um adaptador P2 para usar seus fones normais. Adaptador esse você irá perder, inevitavelmente. E não adianta procurar, não vai achar fones de qualidade com conectores P1 nativos.

RJ45 sem trava

Quando aquela abinha de plástico quebra, é game over. (Crédito: Uwe Schwöbel / Wikimedia Commons)

OK, a rigor RJ45 não existe, o nome oficial é Conector Modular 8P8C, mas RJ45 se popularizou quase tanto quanto o próprio conector.

Usando desde os primórdios da Ethernet, o RJ45 é basicamente o mesmo conector até hoje, sendo usado em redes de 10Gigabits sem o menor problema. É um conector barato, simples de instalar (qualquer idiota tenho um alicate de crimpagem em casa) e raramente dá defeito.

Exceto quando o usuário, nós, resolve ser mão de vaca, fominha, sovina, e ignoramos a única grande falha do RJ45: A travinha de prástico que une o conector ao soquete é frágil, e às vezes quebra.

Com isso, o que antes era uma conexão perfeita agora está sujeita a esbarrões, dilatação térmica, flutuações quânticas e tantos outros motivos para criar desconexões ou contatos intermitentes. Devo ter gastado dias de minha vida diagnosticando problemas de rede causados por conectores sem a maldita travinha.

E agora, o campeão de todo, imbatível como o pior conector em toda a história da Humanidade:

Conector USB 3 interno

Basicamente isso. (Crédito: Reddit)

Placas-mães modernas vêm com diversos conectores USB internos, em especial um soquete duplo para conectar as portas USB 3.0 no gabinete. Isso, incrivelmente, foi padronizado, mas os fabricantes escolheram um conector que é uma desgraça total.

Das duas uma: Ou ele fica completamente frouxo e solta sozinho, ou é tão apertado que quando você puxa o conector, o conector DESMONTA.

A Internet está cheia de relatos de puro horror, por causa dessa desgraça. Quando monto um PC é a última parte do processo, pois não quero arriscar problemas com esse conector maldito.

 

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