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Saiba o que é a legítima defesa da honra, tese extinta pelo STF

Charge: Latuff

A tese de legítima defesa da honra é uma argumentação utilizada em alguns sistemas jurídicos como uma possível justificativa para determinadas condutas criminosas cometidas em situações de suposta ofensa à honra de alguém. Essa tese baseia-se na ideia de que uma pessoa, ao se sentir gravemente insultada, difamada ou desonrada, poderia reagir de forma violenta para defender sua própria honra ou a honra de sua família.

Historicamente, a tese de legítima defesa da honra foi usada, em alguns países, como uma justificação para crimes passionais, em que um indivíduo matava ou feria outra pessoa, geralmente uma mulher, em razão de ciúmes ou por sentir-se desonrado por alguma ação percebida como uma afronta à sua reputação.

Essa tese tem sido objeto de controvérsia e críticas, uma vez que pode perpetuar estereótipos de gênero e cultura da violência. A ideia de que a honra de alguém pode ser defendida através de atos criminosos é considerada ultrapassada e incompatível com princípios de igualdade e respeito pelos direitos humanos.

Nos sistemas jurídicos modernos, a tese de legítima defesa da honra tem sido cada vez mais rejeitada ou reinterpretada. Muitos países têm avançado para revogar ou modificar leis que baseavam-se nessa tese, buscando promover uma justiça mais equitativa e evitar que a violência baseada em supostas questões de honra seja tolerada ou minimizada.

Juiz em audiência no tribunal. Foto: Reprodução

CASOS FAMOSOS

Além dos casos de feminicídio, há outros casos recentes em que a mesma tese foi tentada pelos advogados de defesa:

Caso Suzane von Richthofen (2002)

Suzane von Richthofen foi condenada por planejar o assassinato dos próprios pais, Marísia e Manfred von Richthofen, em outubro de 2002, juntamente com o então namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Christian Cravinhos. A defesa de Suzane alegou a tese de legítima defesa da honra, afirmando que ela cometeu o crime por vingança e após ter sofrido agressões e humilhações por parte dos pais. No entanto, o Tribunal do Júri rejeitou essa tese, e Suzane e os cúmplices foram condenados por homicídio triplamente qualificado.

Caso Elize Matsunaga (2012)

Elize Matsunaga foi acusada de assassinar e esquartejar o marido, Marcos Kitano Matsunaga, em maio de 2012. Durante o julgamento, a defesa alegou a tese de legítima defesa da honra, argumentando que Elize cometeu o crime após sofrer anos de violência doméstica e traições por parte do marido. No entanto, a tese foi rejeitada pelo Tribunal do Júri, e Elize foi condenada a 19 anos e 11 meses de prisão por homicídio qualificado.

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